terça-feira, 5 de dezembro de 2017

SÓ RESTARAM ESPINHOS

SÓ RESTARAM ESPINHOS


Quando toda flor for retirada do bosque Eu me converterei em inércia, nua e sangrando como uma rosa, dissecada por intempéries naturais da vida.
Quando a sua destra com créditos de impossibilidades se pronunciar, rasgarei as minhas vestes e me mostrarei nua

com formas delineares de memórias amargas.

Haverá quem ouça o apelo de misericórdia ? ...
Como uma ninfa recorrerei a majestade que destitua de mim toda responsabilidade de amar e proteger. Porque a minha meiguice se foi com o descasar do prazer e da paixão e o

meu pólen interior perdeu- se o prazer para uma possível fecundação.

Espinhos violentos de ciúmes, ferem a minha essência, que desabrocham em pétalas distintas de angústia, que

sofridas pela vida, já estão com o aspecto fúnebre. Parece que o acaso busca minha destruição.
Busquei ao desenrolar desta vida a tua essência para alimentar meu ser, assim sigo clamando proteção. Clamo piedade!

Haverá quem me ajude?

Tornei-me serena com o tempo .. . minhas sépalas estão decadentes, sem o abraço do ser amado, sem os beijos sorvidos, o meu sustentáculo murchou impossibilitado de existir, sem chances de brotar não poderá viver.
Clamo por sua existência!

Haverá quem me alimente?

Neste universo de tristeza

me preparei para enfrentar lembranças traidoras. É só o que estou levando comigo.
Vou te deixar na ânsia de viver sonhos ilusórios. Nada será como era antes, o nosso amor não poderá mais ser regado, perderá -se o vigor, porém os espinhos permanecerão... secos, aparentes , mortos. Como posso causar discórdia?

A mais humilde das rosas quer se despir da angústia, lutará pela libertação de sua vergonha.
Como posso seguir em frente?

As lembranças vivas, os instantes mortos se perderam e não serão encontrados.
Poderei amar os espinhos que cá se encontra? Inerte e sem vida permaneceram em mim, apenas eles. Eles que me fazem lembrar da emoção

vivida. Eles que me convidam a amá-los mesmo com as pétalas caídas, e galhos nus.
Entretanto me lembram que o teu amor brotou , cresceu , brilhou , esteve vivo, mas morreu.

Tem alguém para me consolar?
Não estou segura no meio desse ciclo sem vida que à mim é tão semelhante,

pude até ouvir o choro da rosa desfalecendo . Ela seguiu seu percurso natural, tinha dois propósitos : embelezar

o mundo e encantar os amantes.
Pboderei continuar?

A rosa do amor se foi, eu também tive que ir com a raiz erguida na utopia dos sonhos e os olhos marejados de

dor. No entanto, não vou esquecer que um dia... Ela esteve viva, ambas regadas e beijadas pelo o amor.

Nos mistérios da vida nosso delicado sentir se cruzou

Quanta saudade da beleza!

Quanta tristeza do que ficou !

Do resumo de uma vida


De tu ó rosa ! Que por tantas vezes minha vida perfumou.

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