terça-feira, 12 de dezembro de 2017

O NOSSO SEPULTAMENTO



lágrimas que escorrem em meus olhos depois do teu adeus !

Lágrimas que  dançam friamente em meu rosto enquanto sinto o gelar de sua gota em cada  longa manobra ao cair sobre o chão.

O nosso amor foi o mais desejável entre os humanos

O mais impossível pra Mim

Meu  prisioneiro amante

me fiz carcereira pra ficar mais perto de ti

Na melancolia dos meus sonhos na dramática vidinha que me constrange , me condena a viver assim

No deslumbrar dos passos sorrateiros viajantes, na valsa das lembranças, do bailar dos doces momentos

Das entranhas da solidão , do empirico  para o esquecimento .

Esses passos  caminha pela vida tentando matar o sofrimento.

Corriqueiros...infelizes.....tristes...marcados.... abre alas para o desalento

morre pro mundo  o amado meu,

entretanto, viverá em mim sempre que o meu ser , lembrar do teu adeus.

A chama dos teus olhos apagaram, o amor ardente do teu peito foi extinto, o desejo insaciável do teu pulsar foi sepultado, desacreditada te vi partir.

A brisa melancólica beijou a minha face inteira  contemplando o desespero em meu olhar quando tua boca  não sorriu pra mim

O teu sorriso morreu não mais vislumbro o anjo meu.... a medíocre  chama do teu amor desfaleceu

nela se perdeu os carinhos, as promessas, os beijos.... perderam -se quando a flama do teu querer morreu.

O teu querer sórdido e sagaz

Sinto que a minha luz foi morta junto com o teu amor....

Apagada pra uma vida toda ....

Sepultamento de uma paixão  e de uma felicidade

Morta viva me tornei assim 

lancei à cova  da  tua frieza a suavidade  do meu amor . Esperava  que enterrando junto a ti , as lágrimas deixavam de dançar e secariam com a serenidade do tempo cruel

Esperava que lançando ao túmulo o meu querer.

A prepotência do desamor não viesse me abraçar,  todavia antagônico a você, ele ... ele sim foi fiel.

Partiste. O teu amor ficou aqui, os beijos selados na hora do prazer... as carícias....a tua voz que me acalmava como o cantar dos bem-te -vis....os momentos que tornaram lembranças vivas pra mim .

Você partiu...

Você se foi não está mais aqui.

Ainda escuto o teu adeus

As palavras se perderam no ar

Mas uma ainda posso escutar

Pelos cantos do mundo à fora

A melodia dos nossos beijos silenciaram e hoje quando me vejo é com saudades de nós

Cada canto entoado de felicidade se calou, juntos aos segredos, aos risos .. .as loucuras vivenciadas a sós

Somente eu e você ...

Hoje só o passado me faz feliz

Lá te vejo deitado em meus lençóis

Lá você é meu

Lá em cada canto da casa posso te encontrar

Nas paredes do meu coração

No âmego do meu ser você está
Hoje estou  enlutada

Não pude descortinar o meu olhar

A roupa negra se associa a minha pele semelhante  aos meus dias, negros... tristes , mas fiéis ...eles não me abandonam

Virou rotina tudo isso aqui. Não canta mais os bem -te -vis , não ouço mais o cantar das árvores,  nem tão pouco ouço os colibris

O sepultamento do teu amor, o eternizar do amor meu.

Matou em mim a alegria

Na hora que me disse adeus

Aqui jaz uma mulher  que amou tanto...

viveu pro seu amor

Morreu afogada em pranto .

Autora : Iracema Santos

CORTES MARCANTES

Andei com os pés nus

Espinhos soltos pontigudos,

cortantes como vidro.

Reclamei ao leu minha  ilusão pintada com restos de tintas sem brilho ofuscada por cicatrizes

A ilusão  matou em mim a esperança e nem sinal de alegria continha na alma severamente cortada. Somente medo e angústia respiravam ,

chorei  ao vento , ao relento ,ao escuro:

ó vento porque levaste

a beleza  da mortal?!

O vento  fechou-se em dores

Causando em minha alma  um  temporal.

Sem nenhuma concentração

Debrucei-me para o alto e clamei:

o que foi feito do teu carinho amado meu?

tenho dores e cortes marcantes

que obtive pisando no caminho 

Cortes dilacerantes que me causaram tamanha angústia...

Eu queria vê flores

Com cores diversas

e de todas espécies no meio dos espinhos

Cortes estão saindo das minhas entranhas

às custas de muitas dores.

Fiquei atada sob uma adaga

Peixe fora d'água

Rio sem correntezas, sem vida

Virei filha do medo e do desamor regada de desengano pela dor vadia

Covardia sem igual violada por uma penetração  forçada, denunciada pelo fracasso.

Como a dor de parto  fui arrancada de ti, castigada pelo ócio de um vendaval

Furou a minha pele me causando rubores, abriu minhas entranhas, rasgou meu ventre

nasceu insegurança

Deu luz a desconfiança

Matou a segurança,

Perdi a esperança

Cravados como lança

Os Espinhos  mortais viraram flores  disfarçadas de risos

São flores de dores, marcas, cortes, lágrimas

derramadas na noite sombria e sem vida , sem luz, sem luar, cheiro de morte...

Pálidas , mas fortes,

feitas de desejo, na ânsia do cio, anunciado pela derrota. Lágrimas arrancadas à força, por meu protetor

Rasgada sem nenhum remorso

Com regras, impondo-me limites...

São jardins  de medo e de agonia .
O que fazer agora com essa melancolia?

Só  queria tua boca mais uma vez, junto a minha em harmonia.
No gostoso néctar que ela sempre me dava

Nela viciei-me em seu  pólen

Trespassada agora  eu já não

sei se ela ainda me ama

Se ainda me chama

Se ainda me reclama

Só sei que anseio por ela

Que o meu corpo fica em chamas quando lembro dela.

Cheia de desejo não sei se ela ainda me quer

Com dores no peito cortada por dentro, gritando ao relento:



Em você UM DIA fui mulher.

SEM SENHOS PRA SONHAR

 (AUTORA: IRACEMA SANNTOS)

Noites frias sem estrelas

Acompanhadas de lembranças

Uma brisa suave, uma saudade do que nunca foi, povoa pensamentos

Visito minha alma e me olho inteira

O que vejo tem a forma de esperança do nada

Que, difusa, se confunde com uma distância jamais imaginada

Que, confusa, se perde na incerteza,

Da volta de quem nunca partiu

Escolhestes caminhos tão longos....

Um dia, nos encontramos.

Nunca existiu encontro

Houve, qualquer coisa doce coberta de amargura....

Nunca pude chegar ao meio

Às vezes até ousei sonhar ,

Mas sonhar de muito pouco vale,

Então congelei meus sonhos e me vi senhora deles

Se todos os sonhos que eu pudesse ter

Soubesse escondê-los....jamais seriam abruptamente levados embora

Mas quem sabe esses versos encantem almas e inudem sentidos

Mas todos os versos, por mais que versos são

São apenas versos, não soubem ser caminhos

Assim pudessem  guiar o amor, de encontro aos sonhos meus.

Contudo, visitada pela lembrança, nas palavras desta saudade,

Busco um pouco de sonhos, que, de novo, possa sonhar

Na esperança que, mesmo que, nunca, nada seja,

Exista um pouco de amor, que hoje não sei decifrar.


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

SÓ RESTARAM ESPINHOS

SÓ RESTARAM ESPINHOS


Quando toda flor for retirada do bosque Eu me converterei em inércia, nua e sangrando como uma rosa, dissecada por intempéries naturais da vida.
Quando a sua destra com créditos de impossibilidades se pronunciar, rasgarei as minhas vestes e me mostrarei nua

com formas delineares de memórias amargas.

Haverá quem ouça o apelo de misericórdia ? ...
Como uma ninfa recorrerei a majestade que destitua de mim toda responsabilidade de amar e proteger. Porque a minha meiguice se foi com o descasar do prazer e da paixão e o

meu pólen interior perdeu- se o prazer para uma possível fecundação.

Espinhos violentos de ciúmes, ferem a minha essência, que desabrocham em pétalas distintas de angústia, que

sofridas pela vida, já estão com o aspecto fúnebre. Parece que o acaso busca minha destruição.
Busquei ao desenrolar desta vida a tua essência para alimentar meu ser, assim sigo clamando proteção. Clamo piedade!

Haverá quem me ajude?

Tornei-me serena com o tempo .. . minhas sépalas estão decadentes, sem o abraço do ser amado, sem os beijos sorvidos, o meu sustentáculo murchou impossibilitado de existir, sem chances de brotar não poderá viver.
Clamo por sua existência!

Haverá quem me alimente?

Neste universo de tristeza

me preparei para enfrentar lembranças traidoras. É só o que estou levando comigo.
Vou te deixar na ânsia de viver sonhos ilusórios. Nada será como era antes, o nosso amor não poderá mais ser regado, perderá -se o vigor, porém os espinhos permanecerão... secos, aparentes , mortos. Como posso causar discórdia?

A mais humilde das rosas quer se despir da angústia, lutará pela libertação de sua vergonha.
Como posso seguir em frente?

As lembranças vivas, os instantes mortos se perderam e não serão encontrados.
Poderei amar os espinhos que cá se encontra? Inerte e sem vida permaneceram em mim, apenas eles. Eles que me fazem lembrar da emoção

vivida. Eles que me convidam a amá-los mesmo com as pétalas caídas, e galhos nus.
Entretanto me lembram que o teu amor brotou , cresceu , brilhou , esteve vivo, mas morreu.

Tem alguém para me consolar?
Não estou segura no meio desse ciclo sem vida que à mim é tão semelhante,

pude até ouvir o choro da rosa desfalecendo . Ela seguiu seu percurso natural, tinha dois propósitos : embelezar

o mundo e encantar os amantes.
Pboderei continuar?

A rosa do amor se foi, eu também tive que ir com a raiz erguida na utopia dos sonhos e os olhos marejados de

dor. No entanto, não vou esquecer que um dia... Ela esteve viva, ambas regadas e beijadas pelo o amor.

Nos mistérios da vida nosso delicado sentir se cruzou

Quanta saudade da beleza!

Quanta tristeza do que ficou !

Do resumo de uma vida


De tu ó rosa ! Que por tantas vezes minha vida perfumou.

sábado, 2 de dezembro de 2017

SAUDADE DO QUE NUNCA EXISTIU!


Traze-me um pouco das alegrias serenas que tens , que as nuvens transportam por cima do dia!

Um pouco de sombra, apenas,

- vê que nem  peço felicidade, apenas que me cubra de paz

Traze-me um pouco da nobreza dos lugares, da tua presença...do amor

Traze-me o amor que sustenta teu coração e diz não sentir nada.

A alvura, apenas, dos momentos. Daqueles doces momentos que nuncs foram nosso.

- vê que nem  peço dor

Traze-me um pouco da  lembrança ...nela sinto aconchego

Traz-me o aroma perdido, o beijo na hora da felicidade, na hora do amor

Saudade do calor ainda não sentido!

- Vê que digo - esperança!

- Vê que sequer sonho !

-Vê que peço prazer!

--Vê que nem peço  ausência!

-Vê que estou feita de amor!

- Vê que só peço esperança .

Vê que tenho saudade do que nunca existiu.


Autora: IRACEMA SANTOS