Andei com os pés nus
Espinhos soltos pontigudos,
cortantes como vidro.
Reclamei ao leu minha ilusão pintada com restos de tintas sem brilho ofuscada por cicatrizes
A ilusão matou em mim a esperança e nem sinal de alegria continha na alma severamente cortada. Somente medo e angústia respiravam ,
chorei ao vento , ao relento ,ao escuro:
ó vento porque levaste
a beleza da mortal?!
O vento fechou-se em dores
Causando em minha alma um temporal.
Sem nenhuma concentração
Debrucei-me para o alto e clamei:
o que foi feito do teu carinho amado meu?
tenho dores e cortes marcantes
que obtive pisando no caminho
Cortes dilacerantes que me causaram tamanha angústia...
Eu queria vê flores
Com cores diversas
e de todas espécies no meio dos espinhos
Cortes estão saindo das minhas entranhas
às custas de muitas dores.
Fiquei atada sob uma adaga
Peixe fora d'água
Rio sem correntezas, sem vida
Virei filha do medo e do desamor regada de desengano pela dor vadia
Covardia sem igual violada por uma penetração forçada, denunciada pelo fracasso.
Como a dor de parto fui arrancada de ti, castigada pelo ócio de um vendaval
Furou a minha pele me causando rubores, abriu minhas entranhas, rasgou meu ventre
nasceu insegurança
Deu luz a desconfiança
Matou a segurança,
Perdi a esperança
Cravados como lança
Os Espinhos mortais viraram flores disfarçadas de risos
São flores de dores, marcas, cortes, lágrimas
derramadas na noite sombria e sem vida , sem luz, sem luar, cheiro de morte...
Pálidas , mas fortes,
feitas de desejo, na ânsia do cio, anunciado pela derrota. Lágrimas arrancadas à força, por meu protetor
Rasgada sem nenhum remorso
Com regras, impondo-me limites...
São jardins de medo e de agonia .
O que fazer agora com essa melancolia?
Só queria tua boca mais uma vez, junto a minha em harmonia.
No gostoso néctar que ela sempre me dava
Nela viciei-me em seu pólen
Trespassada agora eu já não
sei se ela ainda me ama
Se ainda me chama
Se ainda me reclama
Só sei que anseio por ela
Que o meu corpo fica em chamas quando lembro dela.
Cheia de desejo não sei se ela ainda me quer
Com dores no peito cortada por dentro, gritando ao relento:
Em você UM DIA fui mulher.
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