terça-feira, 12 de dezembro de 2017

CORTES MARCANTES

Andei com os pés nus

Espinhos soltos pontigudos,

cortantes como vidro.

Reclamei ao leu minha  ilusão pintada com restos de tintas sem brilho ofuscada por cicatrizes

A ilusão  matou em mim a esperança e nem sinal de alegria continha na alma severamente cortada. Somente medo e angústia respiravam ,

chorei  ao vento , ao relento ,ao escuro:

ó vento porque levaste

a beleza  da mortal?!

O vento  fechou-se em dores

Causando em minha alma  um  temporal.

Sem nenhuma concentração

Debrucei-me para o alto e clamei:

o que foi feito do teu carinho amado meu?

tenho dores e cortes marcantes

que obtive pisando no caminho 

Cortes dilacerantes que me causaram tamanha angústia...

Eu queria vê flores

Com cores diversas

e de todas espécies no meio dos espinhos

Cortes estão saindo das minhas entranhas

às custas de muitas dores.

Fiquei atada sob uma adaga

Peixe fora d'água

Rio sem correntezas, sem vida

Virei filha do medo e do desamor regada de desengano pela dor vadia

Covardia sem igual violada por uma penetração  forçada, denunciada pelo fracasso.

Como a dor de parto  fui arrancada de ti, castigada pelo ócio de um vendaval

Furou a minha pele me causando rubores, abriu minhas entranhas, rasgou meu ventre

nasceu insegurança

Deu luz a desconfiança

Matou a segurança,

Perdi a esperança

Cravados como lança

Os Espinhos  mortais viraram flores  disfarçadas de risos

São flores de dores, marcas, cortes, lágrimas

derramadas na noite sombria e sem vida , sem luz, sem luar, cheiro de morte...

Pálidas , mas fortes,

feitas de desejo, na ânsia do cio, anunciado pela derrota. Lágrimas arrancadas à força, por meu protetor

Rasgada sem nenhum remorso

Com regras, impondo-me limites...

São jardins  de medo e de agonia .
O que fazer agora com essa melancolia?

Só  queria tua boca mais uma vez, junto a minha em harmonia.
No gostoso néctar que ela sempre me dava

Nela viciei-me em seu  pólen

Trespassada agora  eu já não

sei se ela ainda me ama

Se ainda me chama

Se ainda me reclama

Só sei que anseio por ela

Que o meu corpo fica em chamas quando lembro dela.

Cheia de desejo não sei se ela ainda me quer

Com dores no peito cortada por dentro, gritando ao relento:



Em você UM DIA fui mulher.

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