sábado, 12 de setembro de 2015

NÃO ME PERMITO AMAR


Tenho somente poucos instantes ...ficará  para sempre na lembrança um amor que desobstruiu e deixou marcas impenetráveis.
Vou partir, mas a longa conversa ,abraço apertado, os beijos ardentes ... Esses sim vão ficar em mim .
Andarei em caminhos longínquos , onde o obscurantismo me servirá p lembrar....
Noites quentes serão transformadas em escuras e geladas...Eu não estarei mais aqui .
memórias nunca serão esquecidas não importa quanto tempo passe.... talvez um dia se recorde daqueles momentos que transcenderam o tempo   e atravessaram a alma .
Porque o tempo  estava lá, atento à todos os instantes sublimes no entoar do crepúsculo . Atento como queria, indesejável pra mim. Pois ele predestina à vida , o fim.
A esperança ,  a felicidade, a alegria..... Ah !! Todas conclamavam para que ficássemos por aqui só uma vez mais , só mais um instante .
Mas tive que deixar....
Tive que ir...
Temerei sua presença que irá perseguir minhas madrugadas frias e sombrias.
Mas assim será a nossa história. Uma memória que nunca desaparecerá, será uma marca eterna.
Vou te lembrar ... nos pequenos gestos.... flores , músicas , risos ,estrelas... .
Assim será.  Pensamentos que se cruzará à distância para sentirmos um ao outro.
Mas agora, nada mais importa , não vou estar mais aí.
Viajarei por estradas onde só a tristeza me alcançará. Andarei por veredas nas quais a solidão me acompanhará.
Tem que ser assim e assim será.
Você foi meu anjo amigo, meu prisioneiro amante. Com você fui do paraíso  aos vales, que só a utopia consegueria explicar. Com você eu atravessei fronteiras, em que o inesperado estava lá...abracei-o e me fiz viver o que dantes desconhecia a existência  .
Enfrentei meus piores medos e venci alguns deles. Me desabrochei para uma vida que só existia na minha imaginação. Foi a metamorfose da vida que me levou a viajar em teu olhar.
Me reinventei da forma mais simples e mais alucinante possível  . Me permitir viver de várias formas , por alguns instantes me fiz carcereira. Sabe  eu não sou doce como aparento ser.
Pronto !!!!  Ficou obscuro pra mim e entendi que já é hora de ir...
Sentir meu coração  suave , na ânsia  de desejos. , na loucura dos sonhos e na insanidade de viver história feliz.
Logo vi que a suavidade o fez descompasso no peito .
Colonizado por você, agora me fez partir para longe, para enclausurar -me dentro de mim, do meu mundinho, mas que é só meu.... somente meu e não permito que o invada.
Então eu vou , porque fui longe ....que  acabei perdendo o prazer de amar, numa busca incessante do esquecimento . Esquecimento do ócio do prazer. No opróbrio de minhas ilusões mais excitantes, sempre fui mestra nisso. Com essa loucura de querer sempre mais. Gosto do que não está prescrito, não sigo receitas , gosto do irreal , do improvável. Não sou guiada por padrões .
Não me permito viver de aparências , me arrisco no provocante , mesmo sabendo que está fadado a não funcionar.
Não  permito entrar em minha vida e dramatizar a minha paz.
Eu não me permito amar.
Devo pensar que tudo não passou de um sonho. Sou apaixonada pela vida, mesmo vivendo de dores , acertos e derrotas. Sou o q sou. Campo minado às vezes. Sou assim em estado de condensação,  então......Me arrisquei, meus  desejos mais devassos eu escondir para não colidir com os teus.
Guardei todos os sonhos intensos que poderia viver , tranquei -os e joguei a chave ao rio à abaixo.
Mas eu não consegui deixar a minha vida de lado.por isso eu vou. Tô saindo, mas levo comigo tudo q vivi , vou lembrar  no meio do caminho. Não gosto de regras mas levo também minhas pegadas, meus desejos sufocados pelo silêncio das incertezas. Isso sim levarei comigo, já que tudo se perdeu no meio do caminho,  preciso ir.....por simplesmente . .. não me permitir amar.
Iracema Sanntos

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